Júlia Santos - mar 27, 2020

Indústria 4.0: como as tecnologias desafiam o ensino da Engenharia?

Não há dúvida que as inovações tecnológicas vieram para ficar e estão promovendo transformações constantes nas bases da sociedade, desde a forma como as pessoas se relacionam até os modos de produção. É nesse contexto que se insere a Indústria 4.0 e os profissionais que se preparam para fazer parte dela.

A Engenharia é uma das áreas mais afetadas por toda essa transformação promovida pela tecnologia. Por isso, as instituições de ensino estão focadas em oferecer aos estudantes as ferramentas necessárias para lidar com essas novas vertentes do mercado de trabalho.

É um desafio, mas também uma necessidade, repassar conhecimento atualizado para aqueles que são o presente e o futuro da profissão. Continue lendo o artigo para entender melhor como o avanço da Indústria 4.0 se faz presente no contexto acadêmico.

Faculdade de Engenharia de Produção

O que é Indústria 4.0

Antes de tudo, vale a pena esclarecer melhor o que é essa tão comentada Indústria 4.0. Também conhecida como parte integrante da 4ª Revolução Industrial, está fundamentada na Internet das Coisas e prevê o relacionamento constante do real com o virtual. Em prática, isso significa que a automação está no centro desse novo modelo produtivo.

Enquanto que, na forma tradicional, a fabricação de algo era totalmente centralizada, isso pode ser agora muito mais fluído e descentralizado, dada as possibilidades tecnológicas. Com um ajuste de comandos e a participação dos sistemas ciberfísicos, é possível, até mesmo, que as máquinas interajam entre si e cooperem.

Nesse contexto, o mais importante é fornecer aos consumidores finais uma experiência ainda melhor depois de um processo de produção otimizado, mais rápido e com uma melhor utilização dos recursos. A tecnologia é, de fato, uma parte crucial nisso tudo, mas não é o objetivo e sim o meio utilizado para se chegar a resultados positivos.

Não é preciso ir muito longe para verificar algumas das principais tecnologias que fazem parte deste movimento. A inteligência artificial, o armazenamento de dados em nuvem e a realidade virtual são alguns exemplos de como esta nova era tem muito a oferecer. Na prática, tudo isso já é usado a nível doméstico, pois podemos perfeitamente ter contato com bots e armazenar as nossas fotos em clouds. 

De acordo com dados do Projeto Indústria 2027, organizado pela Confederação Nacional de Indústrias, esse conjunto de práticas extremamente tecnológicas pode movimentar mais de R$ 70 bilhões por ano. O levantamento, feito em 2017, também revelou que as empresas brasileiras estão em fase de adaptação e que precisam acelerar a implementação das mesmas para terem mais chance de competir com empresas de outros países a nível internacional. 

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Como fica o ensino da Engenharia

Como se sabe, a  Engenharia é uma das áreas que mais sentem a presença da Indústria 4.0. Esse é um fato bastante vantajoso porque significa também mais oportunidades para os profissionais da área, principalmente para aqueles que se familiarizarem desde cedo com o conceito. 

É por esse motivo que a graduação tem um papel tão importante. Ela não apenas forma novos engenheiros, mas sim profissionais capazes de lidar com as novas tecnologias e adaptarem o método de trabalho para acompanhá-las.

As instituições de ensino passaram a revisar as suas matrizes curriculares para fazer com que o que é aprendido na faculdade esteja cada vez mais próximo do que é praticado no mercado de trabalho. Para isso, unem-se às empresas do ramo e buscam insights que podem ser transformados em medidas concretas que podem ser adotadas na formação desses futuros profissionais. 

A publicação Educação 4.0 na Engenharia deixa claro que é fundamental um modelo mais dinâmico de aprendizado, que permita aos alunos desenvolver  sua multidisciplinaridade. Para que isso aconteça, a metodologia ativa e o espírito crítico e proativo que ajuda a desenvolver são fundamentais. 

A área já tem uma clara vantagem por oferecer uma base sólida que permite atuar em diferentes segmentos da indústria. 

Os engenheiros elétricos, por exemplo, têm toda a formação para desenvolver máquinas automatizadas, assim como os engenheiros de produção podem facilmente lidar com a gestão e otimização dos dados digitalmente.

O papel da faculdade, neste contexto, é enriquecer essa carreira já multidisciplinar e dotá-la de conhecimentos específicos. Ao invés do receio da substituição por robôs e outras máquinas inteligentes, há a preocupação em aprender como administrá-las da melhor forma possível e onde encaixá-las para ter uma linha produtiva mais eficiente.

O verdadeiro profissional do futuro está em constante construção e atualização, sem deixar que o progresso seja fonte de medo, mas sim de inspiração.

Um percurso bem sucedido começa ainda na graduação. A escolha de uma instituição de qualidade é crucial para dar ao futuro engenheiro o espaço e o apoio que ele precisa para crescer na era digital e em todas as que vierem posteriormente.

Escrito por Júlia Santos